“OCEANIA”. UMA EXPOSIÇÃO INTERNACIONAL COM REFERÊNCIAS PORTUGUESAS

Encontra-se patente, de 26 de Outubro passado até 29 de Abril de 2018, no Museu Real de Arte e de História de Bruxelas, uma exposição subordinada ao tema “Oceania. Viagens na imensidão”, que conta com o apoio, entre outras entidades, da National Geographic Netherlands, da Air Tahiti Nui e da Mercator Sailing Ship Foundation. Como se colhe da brochura de apresentação, A Oceania, continente infinito suspenso entre a imensidão do céu e do oceano, continua ligada, no nosso imaginário, às grandes viagens e ao desconhecido”.

A exposição trata deste vasto continente, percorrendo a sua história, desde a chegada dos primeiros colonizadores, há mais de 60 mil anos (!), oriundos de África, passando pelos povos do Sudeste asiático, que ali aportaram entre o 3° e o 1° milénio a.C., até aos séculos XVI a XVIII, altura em que chegaram as primeiras viagens e expedições europeias.

A exposição traça um quadro muito completo deste continente, explicando a geografia política contemporânea, os aspectos ligados à colonização do Oceano Pacífico (que integra as regiões da Melanésia, da Micronésia e da Polinésia), as grandes migrações nesta área e os meios de navegação utilizados. Apresenta ainda elementos muito interessantes sobre os seguintes aspectos: a orientação no mar, a descoberta das ilhas, as primeiras travessias e explorações do Pacífico pelos Europeus, onde avultam os nomes de Fernão de Magalhães, James Cook, Jean-François Galaup e Louis-Antoine de Bougainville.

Um relevo especial é dado à expedição franco-belga de 1934, com o navio “Mercator”, que viria a proporcionar a vinda para Bruxelas de uma estátua da Ilha da Páscoa: a estátua que tem a designação de “Pou Hakanononga”, que representa o deus dos pescadores de atum, e que se encontra, desde então, em exposição permanente no Museu.

Através dos objectos e da documentação apresentados, a exposição percorre a OCEANIA DE OESTE PARA ESTE, pondo em relevo a variedade geográfica e a diversidade cultural desta zona do globo.

Importa realçar que, neste percurso, a exposição faz referência explícita aos navegadores portugueses que marcaram presença nesta área ao longo dos tempos, e aos feitos que lhes são reconhecidos: António de Abreu e Jorge de Meneses, que descobriram a Nova-Guiné, entre 1521 e 1526, Pedro Fernandes de Queirós, que descobriu Vanuatu em 1606, e Fernão de Magalhães, que descobriu a Micronésia em 1521, navegador a que é dado um relevo especial. De notar que as regiões descobertas pelos navegadores portugueses estão incluídas num capítulo especial do Catálogo da exposição, com textos desenvolvidos que explicam as características de tais regiões.

Os objectos expostos remetem, com frequência, para os temas marítimos: as embarcações das diversas épocas, as cartas e os instrumentos de navegação, um curioso relicário em forma de tunídeo, artes de pesca (anzóis), artefactos em dente de baleia e de golfinho.

O Catálogo e a profusa bibliografia disponibilizados na loja do Museu proporcionam informação cientificamente fundada cobrindo múltiplos aspectos relacionados com a temática evocada.

Trata-se de uma exposição de excepcional qualidade, que aborda várias vertentes ligadas a um continente com uma ancestral ligação ao mar, constituindo visita importante para todos aqueles que desejem aprofundar conhecimentos sobre esta tão interessante região do globo.

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